Jê Américo, o Arquiteto da Arte

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Hoje entrevistamos Jê Américo, o artista que trouxe para seus desenhos e esculturas as técnicas e materiais utilizados na arquitetura.

Quem é você e o que você faz?

Meu nome é Jê Américo, sou arquiteto formado há aproximadamente 25 anos. Durante esse período, projetei e construí casas, lojas, edifícios, móveis e objetos.  Desenvolver esses tipos de trabalhos, envolve lidar com questões que estão diretamente ligadas às artes plásticas, tais como, escolha de materiais e das relações entre eles, cores, ritmos de composição, etc. Há 10 anos, comecei a desenvolver uma carreira de artista plástico para explorar novos caminhos de criação, além da arquitetura.

Quando você percebeu pela primeira vez que você queria ser artista?

Pouco antes de terminar a faculdade, fiz minha primeira viagem pela Europa. Durante 3 meses visitei muitos museus em diversas cidades. Na Itália, depois de ver inúmeras coleções barrocas e renascentistas, visitei o museu Peggy Guggenheim em Veneza, cujo acervo é formado por obras de grandes mestres da arte moderna como: Paul Klee, Picasso, Giacometti, Mondrian, entre outros. Ao ver a produção de obras modernas, pensei pela primeira vez que eu também poderia fazer obras como aquelas e talvez me tornar um artista. Produzi minha primeira obra de arte 15 anos depois.

Reds, 2017 | Ferro | 50 x 35 x 4 cm | R$ 12,000

Você estudou arte ou é autodidata?

Sempre me interessei muito por arte, em suas diversas manifestações. Mesmo quando ainda não sabia uma definição precisa do que seria arte. Durante o curso de arquitetura tive excelentes professores de história da arte, como Aracy Amaral e Ana Belluzzo. Também tive aulas de semiótica com o Décio Pignatari.

Conte um pouco sobre sua trajetória, sobre o seu trabalho hoje em dia?

Antes de estudar arquitetura, fui desenhista técnico. Isso ocorreu na segunda metade dos anos 70, naquela época os desenhos eram produzidos com canetas nanquim, réguas e esquadros. Depois vieram os computadores pessoais e essa técnica foi abandonada. Quando produzi meus primeiros trabalhos artísticos, as linhas surgiram como um elemento plástico que eu poderia explorar. Nesse ponto, resgatei os antigos materiais, canetas, régua e esquadros.

Que é bem da arquitetura?

Foram da arquitetura, e eu adaptei para fazer um trabalho de arte. Primeiro sobre papel como objeto bidimensional. Depois objetos em três dimensões, o papel saltando para o mundo tridimensional. O desenvolvimento desse processo resultou no aprofundamento da exploração de diferentes suportes. Caminho que me levou a investigar materiais da construção civil, principalmente o ferro e o aço, além de outros processos de pintura, também ligados à construção civil. O que surgiu em decorrência disso foram esculturas, que conciliam as linhas com diversos outros materiais. Como um movimento, um salto para o espaço.

Calçada, 2011 | Nanquim sobre papel | 59 x 42 cm | R$6,000

E por que você escolheu este assunto? esta temática?
como você acabou chegando nisso?

Uma das coisas que percebi em minhas reflexões sobre a produção artística, é que o artista confia plenamente em suas intuições. Não há certeza, mas você acredita que por alí existe um caminho que vai dar em algum lugar. Minha produção inicial se deu exatamente dessa forma. Não pesquisei ou fiz algum estudo prévio, simplesmente comecei a produzir. Depois de um tempo, você olha o que fez e começa a identificar afinidades estéticas com obras que você viu. No meu caso, encontrei minha filiação no movimento concreto. Mas isso foi uma coisa que eu descobri a posteriori. Eu não pensei e fiz, eu fiz e depois eu vi que eu estava dentro deste contexto, da arte concreta.

Onde você quer chegar com a sua arte? Onde você busca chegar nos próximos anos?

Gosto de desenvolver coleções de desenhos a partir de um tema, pode ser a música, as estações do ano ou as flores. Pretendo começar a fazer instalações espaciais junto com algumas apresentações musicais. A ideia é explorar outros sentidos, além do visual. A base dessas exposições serão imagens que produzi anteriormente. É um tipo de reciclagem de alguns trabalhos que acredito terem potencial para serem mais profundamente desenvolvidos, dando mais densidade para eles, aumentando o repertório. Estou querendo explorar cada vez mais os sentidos, auditivos, visuais, táteis, todos! Que as obras se tornem cada vez mais complexas.

Jê exibirá suas últimas pinturas em nossa exposição Interseções do dia 10 a 16 de Maio na Rua Oscar Freire, 565.

A abertura da exposição acontecera dia 10 de Maio, 17h - 22h. Para ter acesso ao evento, favor mandar RSVP para o email info@focusldn.com

Beam, 2017 | 180 x 40 x 25 cm | Ferro | R$ 16,000