Paulo Ferrari: o Artista que Retrata o Outro Lado da Cidade

Visitamos o ambiente de trabalho de Paulo Ferrari, o artista que pinta como ninguém o outro lado da cidade, que normalmente é pouco retratado nas obras de arte em geral.

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Quem é você e o que você faz?

Sou Paulo Ferrari, artista visual. Comecei na carreira de artes plásticas recentemente. Tenho 60 anos e ingressei nesse universo somente aos 55 anos. A minha história era outra, eu fui publicitário por um bom tempo, porém quando meu ciclo profissional se encerrou, voltei a me dedicar ao desenho, coisa que fazia quando era criança. A medida que fui me sentindo mais a vontade, comecei a incorporar novos materiais como aquarela, acrílica e outros que me proporcionassem continuar explorando e me expressando nesse novo mundo.

Por que você decidiu começar a trabalhar com arte?

Eu senti uma necessidade muito grande de expressar minha visão de mundo. Eu acho que isso foi o que mais me motivou. Uma coisa é você parar sua carreira profissional e ficar na ociosidade. Eu estava naquela fase: ou eu paro e vou só caminhar no parque todo dia, ou eu faço alguma coisa que me traga um pouco mais de plenitude. Como comentei, tudo começou com o desenho, depois veio a pintura, e hoje eu sinto uma necessidade imensa de produzir, de experimentar coisas novas a cada momento.

The Other Side - Beetle, 2018 | Acrilica sobre tela | 60 x 60 cm | R$ 1,350

Então você realmente ficou viciado nisso? 

A palavra é bem essa, é quase que um vício. Porque não tem uma ordem ou lógica. A gente quer fazer arte a todo momento. Às vezes eu acordo de madrugada e vou desenhar e pintar. É realmente uma necessidade.

Você pinta ou desenha todo dia?

Todo dia, mas não de uma maneira metódica. Como eu tenho tempo pra isso, vivo rabiscando sempre. Quando não tenho material, pego o que tiver pela frente, de papel de rascunho a guardanapo. Quando estou em trânsito sempre levo um scketchbook e vou desenhando coisas pela rua. Isso é uma coisa que eu curto muito fazer. Me estimula e, mais do que isso, é um treino, né? Assim como qualquer atleta, você tem que exercitar sempre. E eu acabo fazendo tudo isso de uma forma natural, não é de uma forma programada.

Quais materiais que você usa basicamente?

Eu comecei no lápis, no velho e bom grafite. E aí migrei para a aquarela que é um pouco mais fácil de fazer e absorver a técnica. Depois experimentei tinta acrílica e outros materiais. Em alguns casos eu até misturo tudo numa técnica mista. Trabalho até com extrato de nogueira que muito similar ao nanquim, só que com uma textura mais sépia, assim vou experimentando coisas novas.

The Other Side - Community, 2018 | Acrilica sobre tela | 70 x 70 cm | R$ 1,450

E os seus temas?

Na verdade eu não tinha no início um tema. Como em qualquer nova descoberta, você vai explorando aquilo que mais te agrada. O que te chama atenção, você vai lá e acaba exercitando. Com o tempo seu olhar vai ficando mais seletivo e você vai filtrando um pouco mais. Hoje, o que me chama a atenção é o outside, o underground, o que eu chamo de “The Other Side”. Uma visão flagrante do subúrbio da metrópole. A gente nem sempre repara, mas tem muita coisa para se ver com olhos poéticos e muita coisa bonita escondida por trás desta atmosfera supostamente desorganizada e mal-acabada. Então, meu tema hoje, é dar luz a esse outro lado quase invisível para a maioria.

E o que você busca agora trabalhando com arte? Qual o seu grande objetivo?

Acho que qualquer artista busca reconhecimento. Que as pessoas vejam o seu trabalho e sintam alguma coisa a partir daí. Não estou falando só do ponto de vista comercial, estou dizendo que quero, cada vez mais, que meu trabalho transmita alguma emoção às pessoas. A minha busca é essa.

Quais seus planos para o futuro como artista?

The Other Side - Home, 2018 | Aquerela sobre papel | 30 x 42 cm | R$ 650

O plano, como qualquer artista, é de viver de arte, né? É bem difícil, mas não impossível. E acho que só se consegue isso a partir de novos projetos que te tragam maior visibilidade. Hoje, essa é a minha grande meta que sei que no futuro irá acontecer.

Além do seu trabalho de artista o que mais você faz?

Como eu disse antes, comecei a pintar bem tarde, então ainda me sinto uma criança brincando com tinta. A minha formação foi publicidade e propaganda. Fui diretor de arte durante quase 40 anos. E direção de arte não é arte, a gente sabe disso. As pessoas às vezes confundem um pouco e acham que diretor de arte é um artista, mas necessariamente não é. O que se faz em propaganda é criar soluções criativas de comunicação a partir de um briefing para produtos, serviços ou marcas, o que é bem diferente de ter a liberdade de expressão e um trabalho autoral. Hoje, ainda faço meus freelas em publicidade, dou consultoria e aulas de desenho. Claro que a ideia é que a arte possa tomar cada vez mais esses espaços e, definitivamente, eu possa dedicar 100% do meu tempo a ela.

Paulo Ferrari exibirá suas últimas pinturas em nossa exposição Interseções do dia 10 a 16 de Maio na Rua Oscar Freire.

Para ter acesso ao evento de abertura da exposição, favor mandar rsvp para o email info@focusldn.com